Câncer de Colo de Útero

O útero é constituído de duas porções corpo e colo, sendo que o colo é a região mais baixa e estreita do órgão. Ele tem formato cilíndrico e possui uma abertura central (canal cervical) que liga o interior do útero à cavidade vaginal – local onde ocorre a eliminação do fluxo menstrual e a entrada do esperma. É através do colo uterino que se dá a passagem do feto durante o parto.

O câncer nessa região, também chamado de câncer cervical, geralmente acomete mulheres acima dos 25 anos e se desenvolve lentamente. Primeiro as células passam por alterações inflamatórias que podem evoluir para lesões pré-cancerígenas, denominada NIC (neoplasia intraepitelial cervical) que se não tratadas, podem desenvolver uma neoplasia invasiva ou câncer.

Os tipos de câncer de colo de útero podem ser:

  • Carcinoma de células escamosas: representa 80% a 90% dos casos. Desenvolve-se no revestimento do colo do útero.

  • Adenocarcinoma: se desenvolve nas células glandulares que produzem muco cervical e representa cerca de 10% a 20% dos casos

  • Carcinoma Misto: pode ocasionalmente ter características de ambos os tipos de câncer:  carcinoma de células escamosas e adenocarcinoma.

Em casos raros, outros tipos de câncer, como neuroendócrino (câncer do colo do útero de pequenas e

grandes células ), melanoma, sarcoma e linfoma são encontrados no colo do útero

Segundo estimativas do INCA, cerca de 16.370 novos casos serão diagnosticados em 2018/2019.  O câncer do colo do útero é o 3º mais frequente em incidência e mortalidade nas mulheres brasileiras, excluindo câncer de pele não melanoma. Porém, em algumas regiões como a Norte é o tumor mais frequente entre as mulheres após o câncer de pele não melanoma

Informe-se sobre outros tipos de câncer:

 

A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer do colo do útero. O HPV é transmitido principalmente pelo contato sexual e é tão comum que afeta quase 80% das pessoas sexualmente ativas.

Existem mais de 150 tipos diferentes de HPV, sendo que 40 deles podem infectar a região genital e provocar alguns tipos de câncer (colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe) e outros podem causar verrugas genitais. Existem 12 tipos identificados como de alto risco (HPVs tipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59) que têm probabilidades maiores de persistirem e estarem associados a lesões pré-cancerosa. Os de tipo 16 e 18 são os responsáveis pela maioria dos casos de câncer de colo do útero.

A infecção pelo HPV não apresenta sintomas na maioria das pessoas. As primeiras manifestações surgem entre 2 a 8 meses do contato, mas pode demorar até 20 anos para aparecer algum sinal da infecção. Na maioria das vezes a infecção tem resolução espontânea pelo próprio organismo em um período de 24 meses.

Outros Fatores de risco associados ao câncer do colo do útero são:

 

Tabagismo: aumenta o risco de alterações pré-cancerosas no colo do útero, especialmente em mulheres com HPV.

Idade: O risco de câncer do colo do útero aumenta com a idade. É encontrado com mais frequência em mulheres acima dos 40 anos. As mulheres mais jovens geralmente apresentam lesões pré-cancerosas que requerem tratamento para prevenir o câncer

Início Precoce da Vida Sexual

Prática sexual com muitos parceiros e sem uso de preservativo ( camisinha)

Histórico de Doença Sexualmente Transmissível

Multiparidade ( ter muitos filhos)

Uso prolongado de contraceptivos orais (estrogênio)

Baixa Imunidade

 

Más Condições de Higiene

 

Vacina contra o HPV: é a principal forma de prevenção do câncer de colo de útero e está disponível gratuitamente nos postos de saúde ou pode ser tomada também em clínicas particulares.

 

A vacina oferecida pelo Ministério da Saúde no Brasil é a quadrivalente que protege contra os vírus 6, 11, 16 e 18, o câncer de colo de útero e as verrugas genitais. Após tomar a vacina o corpo produz anticorpos necessários para combater o vírus e caso a pessoa seja infectada, ela não desenvolve a doença.

 

Quem deve tomar a vacina:

 

Grupo-alvo:

  • Meninas de 9 a 14 anos;

  • Meninos de 11 a 14 anos;

Para esse grupo são recomendadas 02 doses da vacina, com intervalos de 06 meses entre elas.

 

Grupo alvo especial (imunossuprimidos e HIV):

  • Homens e mulheres de 09 a 26 anos portadores do vírus HIV;

  • Pessoas transplantadas de órgãos sólidos, medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 26 anos;

 

Para o grupo alvo especial são recomendadas 03 doses, sendo que a segunda dose é feita após 2 meses da primeira e a terceira dose após 6 meses da primeira dose.

 

A vacina não é um tratamento, ela é uma forma de prevenção e sua eficácia é menor em pessoas que já iniciaram a vida sexual, pois já podem ter estado em contato com o vírus.

 

Preservativo: apesar da importância do uso de preservativo durante a relação sexual para prevenir DST’s, o seu uso pode não impedir a infecção pelo HPV, pois o vírus pode estar presente em áreas não protegidas pela camisinha (vulva, região pubiana, perineal ou bolsa escrotal). A camisinha feminina, que vem sendo utilizada mais recentemente e que cobre também a vulva, pode evitar mais eficazmente o contágio se utilizada desde o início da relação sexual.

 

Exame preventivo - Papanicolau: é o exame ginecológico preventivo mais comum para identificar lesões precursoras do câncer do colo do útero.  Ele não é capaz isoladamente de diagnosticar a presença do vírus, mas é considerado o melhor método para detectar câncer de colo do útero e suas lesões precursoras. Quando essas alterações, que antecedem o câncer, são identificadas e tratadas, é possível prevenir 100% dos casos. Também tem se complementado em algumas situações com a pesquisa molecular para HPV de alto risco.

 

Em seus estágios iniciais, o câncer do colo do útero geralmente não apresenta sintomas e quando surgem eles podem variar de pessoa para pessoa. São eles:

  • Corrimento vaginal de cor escura, com sangue ou com mau cheiro

  • Sangramento vaginal após a relação sexual

  • Sangramento vaginal anormal: após a menopausa, entre períodos menstruais ou períodos excessivamente longos

  • Dor durante o sexo

  • Massa palpável no colo de útero

  • Hemorragias

  • Obstrução vias urinárias e intestino

  • Perda de apetite e peso

Esses sintomas nem sempre significam câncer do colo do útero. É importante uma avaliação médica, pois eles podem sinalizar outros problemas de saúde.

 

Geralmente é em um exame de Papanicolau, de rotina, que se descobre alguma alteração no colo do útero, as chamadas lesões precursoras. O Papanicolau não consegue identifica a presença do vírus HPV e para mapear essas alterações é extremamente importante, pois vai permitir o tratamento precoce impedindo o desenvolvimento do câncer em quase 100% dos casos

Por isso, o exame de Papanicolau pode ser combinado com o exame de rastreamento do HPV. A principal vantagem desse teste molecular é identificar precocemente se há infecção pelo vírus HPV, ou seja, ele mapeia o DNA do HPV dos tipos 16 e 18, que são considerados de alto risco  e presentes em cerca de 70% dos casos de câncer de colo de útero. Se houver um resultado positivo para a presença do HPV não quer dizer que a paciente esteja doente, mas sim que o médico pode recomendar alguns outros exames para rastrear se existe lesões precursoras do câncer e tratá-las.

 

No Brasil a recomendação é que o Papanicolau seja realizado anualmente em mulheres entre 25 e 64 anos que já iniciaram a atividade sexual.

 

A recomendação da Society of Gynecologic Oncology de 2018 é que o Papanicolau deve ser realizado em mulheres com idade entre 21 e 64 anos a cada três anos. E em mulheres entre 30 e 64 anos a cada 03 anos e/ou co-teste (citologia associado ao teste de DNA-HPV por captura híbrida) a cada 5 anos, conduta também recomendada pela Febrasgo 2017. Tais recomendações valem se não houver sinal ou sintoma de câncer, porém não se aplicam a mulheres com história de lesões precursoras de alto grau, uso de dietilestilbestrol ou imunocomprometidos.

 

Um resultado do Papanicolau alterado pode levar a realização de outros exames para identificar a presença de um câncer ou de uma lesão pré-cancerosa. Esses exames incluem a colposcopia e até uma biópsia.

 

Em caso de câncer com confirmação do diagnóstico por biópsia, o médico pode solicitar alguns exames para determinar a extensão da doença como, por exemplo, tomografia, ultrassom, ressonância magnética ou mesmo PET-CT, e em situações especificas, cistoscopia e /ou proctoscopia. Estes exames são realizados em mulheres com tumores maiores, não sendo necessários se o câncer foi diagnosticado em estágio inicial.

 

O estadiamento é a forma de classificação do tumor considerando a sua extensão e ou o quanto ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos, o que auxilia o médico na definição da melhor conduta terapêutica.

 

A opção de tratamento deve levar em consideração o estágio da doença, assim como as condições físicas da paciente.

As principais opções de tratamento são: cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia-alvo, que podem ser realizados isoladamente ou em combinação.

Mulheres que desejam engravidar devem comunicar ao médico para planejar a preservação do útero, caso seja possível.s:

logo-negativo-novo.png
logo-fb.png
logo-linkedin.png
logo-youtube.png
Médico responsável: Dr. Gustavo Cardoso Guimarães - CRM/SP 80506
Copyright © Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica Dr. Gustavo Guimarães. Todos os direitos reservados