Câncer de próstata e o escore de Gleason: o que isso significa?
- IUCR
- 8 de dez. de 2025
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No diagnóstico do câncer de próstata existe um sistema de classificação do tipo de tumor que é fundamental para a definição do tratamento mais indicado para cada paciente, o escore de Gleason.

O escore de Gleason é uma ferramenta essencial para entender o comportamento provável de um câncer de próstata e para orientar escolhas entre vigilância ativa, cirurgia, radioterapia e tratamentos combinados.
O que é o escore de Gleason?
O escore de Gleason é um sistema de classificação microscópica do câncer de próstata. O médico patologista faz uma avaliação, ao microscópio, de cada uma das amostras retiradas pela biópsia de próstata, ao microscópio, e atribui notas de 1 a 5 (chamadas “padrões”) ao aspecto das células.
As células de grau 1 se assemelham ao tecido prostático normal e as células mais próximas de 5 são consideradas de "alto grau" e sofreram mutações que as deixaram “diferentes” das células normais. Atualmente, são usados os padrões 3, 4 e 5 apenas, os números 1–2 quase não aparecem mais.
Em seguida, somam-se os dois padrões mais comuns encontrados na amostra para determinar o escore final.
Na prática, hoje os escores são classificados de 6 a 10, sendo 6 o grau mais baixo de câncer.
O que cada faixa de Gleason costuma significar?
De forma prática e direta:
Gleason 6: câncer considerado baixo risco
Gleason 7: câncer de risco intermediário
Gleason 8–10: câncer de alto risco
Como o Gleason ajuda no diagnóstico e na tomada de decisão?
O Gleason não funciona isoladamente: é um dos principais fatores usados para estimar a agressividade do tumor e orientar o tratamento, junto com PSA, número de fragmentos de biópsia positivos, extensão do tumor nas amostras e resultado dos exames de imagem:
Baixo risco: pode ser proposto uma vigilância ativa (monitoramento) em vez de algum tratamento imediato.
Intermediário: pode ser indicado tratamento imediato com cirurgia, radioterapia (com ou sem terapias complementares) ou vigilância dependendo de outros fatores.
Alto risco: indicado tratamento imediato, com aumento de possibilidades de combinação entre os tipos de tratamentos (cirurgia, radioterapia, e terapia medicamentosa).
Desmistificando: Gleason 6 não é câncer?
Há debates que trazem a questão se as lesões com Gleason 6 deveriam ser classificadas como câncer devido ao comportamento indolente na maioria dos casos. Na prática clínica atual, continuamos a classificar como câncer, porém com reconhecimento de que muitos casos podem ser monitorados com segurança, evitando intervenções desnecessárias. A decisão é individualizada.
E importante conversar com a equipe médica responsável para interpretar o Gleason no contexto clínico completo, pois assim é possível traçar o plano de tratamento que ofereça controle do câncer com a melhor qualidade de vida possível para o paciente.



