Câncer de rim é hereditário?
- há 21 horas
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Muitas pessoas acreditam que a maioria dos casos de câncer são hereditários, ou seja, passam de pais para os filhos. Mas a realidade é que apenas em cerca de 5 a 8% dos casos o câncer de rim vai ter como causa fatores genéticos. Os outros 90% têm influência de fatores ambientais. E isso também ocorre com o câncer de rim.

Hoje vamos trazer informação sobre esse grupo específico de pacientes que a genética faz, sim, a diferença para o risco do desenvolvimento do câncer de rim. Entender isso pode mudar completamente a forma de acompanhar a saúde.
O câncer de rim pode ser hereditário?
Em uma parcela pequena dos casos o desenvolvimento do câncer de rim está associado a fatores genéticos herdados, e isso exige uma abordagem diferenciada em relação, principalmente, ao diagnóstico, acompanhamento e orientação familiar.
Os casos hereditários tendem a apresentar características próprias e estarem relacionados a algumas mutações genéticas que são transmitidas entre gerações.
Principais síndromes associadas ao câncer de rim hereditário
Entre as principais mutações genéticas relacionadas ao desenvolvimento do câncer de rim, estão:
Doença de Von-Hippel Lindau (VHL): síndrome hereditária rara, causada por alterações no gene VHL, cuja função é impedir que as células cresçam e se dividam muito rapidamente. Quando ela sofre mutação e perde sua função protetora, o crescimento desordenado pode aumentar o risco de câncer de rim e também de cistos no órgão. É associado a um tumor renal que costuma crescer de forma mais lenta. A Síndrome Von-Hippel Lindau também é associada ao aparecimento de tumores malignos e benignos em outras partes do corpo, como pâncreas, retina, sistema nervoso central e glândulas suprarrenais.
Síndrome de Birt-Hogg Dubbe (BHD): doença associada à mutação no gene FLCN, que, assim como o VHL, sua função é impedir que as células cresçam e se dividam muito rapidamente. Quando esse gene sofre mutação, o risco de câncer nos rins aumenta, assim como de tumores de pele (chamados fibrofoliculomas), de cistos pulmonares e de pneumotórax espontâneo (chamado também de pulmão colapsado).
Carcinoma Renal Papilífero Hereditário: síndrome associada ao gene MET, envolvida no crescimento celular, que, quando sofre mutação, pode aumentar o risco de um câncer de rim chamado câncer renal papilar, que geralmente é de crescimento mais lento, que se forma em tubos muitos pequenos do órgão chamados túbulos renais.
Leiomiomatose Hereditária e Câncer de Células Renais (HLRCC): essa síndrome é causada por uma mutação no gene FH, que produz uma proteína chamada fumarato hidratase e, que auxilia as células a usarem oxigênio e produzirem energia. Quando o gene sofre a mutação, as células não conseguem usar o oxigênio e pode elevar o risco de as pessoas terem câncer de rim, principalmente os homens. É uma das síndromes mais comuns e pode desenvolver também leiomiomas (tumores benignos) na pele, miomas no útero e paragangliomas (tumores benignos próximos às glândulas suprarrenais, vasos sanguíneos ou nervos).
Existem outras síndromes hereditárias, associadas a vários tipos de câncer, que podem aumentar o risco de aparecimento de tumor maligno nos rins. É o caso, por exemplo, das síndromes de Li-Fraumeni, Perlman, Beckwith-Wiedemann e Fraser, que podem ser responsáveis por surgimento de câncer renal em crianças (Tumor de Wilms).
Quando suspeitar de origem hereditária
A síndrome hereditária pode ser percebida quando há, histórico familiar de câncer de rim; diagnóstico de câncer de rim em pessoas mais jovem (geralmente antes dos 45 – 50 anos); presença de tumores bilaterais ou múltiplos; associação com outros tipos de tumores.
Nesses casos, pode ser indicado o encaminhamento para um médico oncogeneticista para aconselhamento genético, com o objetivo de avaliar o risco individual e familiar de forma mais precisa.
Entretanto, um ponto de atenção: quando uma pessoa tem câncer, isso não significa que seus filhos terão risco aumentado de também ter a doença. Essa chance aumenta somente no caso de os tumores serem decorrentes das mutações genéticas e essas sim, podem elevar o risco de um câncer no rim.
Fatores de risco mais comuns para o câncer de rim
Além da genética, existem fatores bem estabelecidos associados ao desenvolvimento do câncer de rim:
Tabagismo
Obesidade
Hipertensão arterial
Idade mais avançada
Doença renal crônica
Esses fatores são responsáveis pela maior parte dos casos e devem ser considerados na avaliação global do paciente.
Importância do diagnóstico precoce
O câncer de rim frequentemente evolui de forma silenciosa em estágios iniciais. Quando presentes, os sintomas podem incluir sangue na urina, dor na região lombar, perda de peso sem motivo aparente e cansaço constante.
Em muitos casos, o diagnóstico ocorre em um exame para avaliar outras condições. Esse cenário reforça a importância do acompanhamento médico regular, especialmente em pacientes com fatores de risco.


