Medicina de Precisão no Câncer de Próstata: a importância da genética no diagnóstico e tratamento
- IUCR
- há 5 dias
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A medicina de precisão tem se consolidado como um dos principais avanços no cuidado oncológico atual. No câncer de próstata, essa abordagem permite compreender melhor o comportamento da doença, considerando características genéticas e moleculares específicas de cada paciente, o que contribui para decisões diagnósticas e terapêuticas mais individualizadas.

Atualmente, a análise genética tornou-se uma ferramenta relevante tanto para identificar predisposição ao câncer de próstata quanto para orientar o tratamento em casos já diagnosticados.
Câncer de próstata e fatores genéticos
Embora a maioria dos casos de câncer de próstata seja considerada esporádica, estudos indicam que cerca de 10 a 15% dos pacientes apresentam predisposição genética hereditária. Essa predisposição ocorre quando o indivíduo nasce com mutações em genes envolvidos no controle do crescimento celular e no reparo do DNA.
Principais mutações genéticas associadas ao câncer de próstata
Entre as alterações genéticas mais relevantes, destacam-se as alterações nos genes:
BRCA2: principal mutação associada ao câncer de próstata hereditário, relacionada a maior risco e tumores mais agressivos.
BRCA1: associada a risco aumentado, embora com menor impacto clínico em comparação ao BRCA2.
ATM: gene envolvido no reparo do DNA, associado a pior prognóstico em alguns casos.
CHEK2: relacionada à predisposição hereditária, especialmente em famílias com múltiplos casos de câncer.
PALB2: atua em conjunto com o BRCA2 e pode influenciar o risco da doença.
HOXB13: associado ao câncer de próstata hereditário, especialmente em homens diagnosticados em idade mais jovem.
Essas mutações podem ser hereditárias ou adquiridas ao longo da vida e identificadas apenas no tumor.
Quem deve ter atenção especial à genética?
A avaliação genética deve ser considerada principalmente em:
Homens com histórico familiar de câncer de próstata
Pacientes diagnosticados antes dos 55 anos
Famílias com histórico de câncer de mama, ovário, pâncreas ou próstata
Casos de câncer de próstata metastático ou de alto risco
Indivíduos com parentes portadores de mutações genéticas conhecidas
Nesses contextos, a análise genética pode auxiliar tanto no rastreamento precoce quanto na definição da melhor estratégia terapêutica.
O que fazer diante da suspeita de predisposição genética?
Avaliação médica especializada: consulta com urologista ou uro-oncologista, que irá avaliar o histórico pessoal, familiar e as características clínicas da doença.
Aconselhamento genético: antes da realização de testes genéticos, o aconselhamento genético é fundamental para orientar o paciente sobre indicações, limitações e possíveis implicações dos resultados.
Testes genéticos: os exames podem incluir testes genéticos germinativos, realizados a partir de sangue ou saliva ou perfil genômico do tumor, que identifica mutações específicas com impacto terapêutico
O papel da medicina de precisão no tratamento do câncer de próstata
A incorporação da medicina de precisão possibilita:
Identificação de pacientes que podem se beneficiar de terapias-alvo, como inibidores de PARP
Avaliação da elegibilidade para imunoterapia em situações específicas
Definição mais precisa da estratégia cirúrgica, medicamentosa ou combinada
Redução de tratamentos desnecessários
Orientação preventiva para familiares em risco
A medicina de precisão representa um avanço significativo no cuidado do câncer de próstata, permitindo compreender melhor o risco, o comportamento tumoral e as opções terapêuticas disponíveis. A avaliação genética, quando indicada, contribui para um diagnóstico precoce, decisões clínicas mais assertivas e para um acompanhamento mais adequado do paciente e de seus familiares.
Se houver histórico familiar de câncer de próstata ou dúvidas sobre a avaliação genética, marque uma consulta com nossa equipe



