Terapia-Alvo e Imunoterapia: na mira certa do câncer

As pesquisas científicas que buscam alternativas mais eficazes para tratar a doença estão em constante evolução e mostram caminhos que levam ao tratamento personalizado, cada vez mais individualizado.


Os avanços da tecnologia, da medicina e da pesquisa científica e o maior acesso ao sistema de saúde estão contribuindo para que ocorra o aumento da expectativa de vida da população mundial. As pessoas estão vivendo mais e, com isso, a possibilidade de se depararem com um diagnóstico de câncer também aumenta, e esse número tende a crescer ainda mais. Cerca de 30% dos casos de câncer já poderiam ser evitados com uma mudança no estilo de vida da população (adoção de dieta equilibrada, prática de atividades física, não fumar, praticar sexo seguro, não se expor ao sol sem proteção, fazer os exames preventivos regularmente), e esse número pode ser melhorado ainda mais.


Segundo dados divulgados pela Agência para a Pesquisa do Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2040 estima-se 29,4 milhões de novos casos de câncer no mundo, um crescimento de 63% nos próximos 20 anos.


“Como o câncer não é uma doença única, cada tipo de tumor, em cada indivíduo, tem uma identidade particular, exige tratamentos diferentes para cada pessoa. Por exemplo, um câncer de mama tem diferentes subtipos e em cada paciente estes subtipos podem se comportar de maneiras diferentes. Por isso, não haverá um medicamento único que seja capaz de combater todos os tipos da doença que existem”, explica Dra. Andrea Paiva Gadelha Guimarães, Oncologista Clínica do IUCR.

Porém, as pesquisas científicas que buscam alternativas mais eficazes para tratar a doença estão em constante evolução e mostram caminhos que levam ao tratamento personalizado, cada vez mais individualizado. Isso significa que o tratamento se adequa ao perfil do paciente e, com tratamento especifico e adequado, as pessoas poderão conviver com o câncer durante muitos anos, como uma doença crônica, como ocorre com o diabetes e a hipertensão arterial, por exemplo. Essa é a era da Oncologia de precisão.


“Inicialmente o tratamento do câncer envolvia três pilares: a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia, mas com a intensificação das pesquisas científicas em oncologia, outras formas de tratamento foram sendo acrescentadas. Surgiram então, as Terapias-Alvo, a Imunoterapia e a Terapia Gênica”, informa Dra. Andrea.


Saiba mais sobre cada uma delas.


Terapia-Alvo

As terapias-alvo surgiram no final dos anos 90, a partir do conceito de que o foco do tratamento é na célula que está doente, a célula maligna. Esse tipo de droga atua como um míssil teleguiado, ela bloqueia as proteínas específicas — os alvos moleculares — importantes para o funcionamento da célula cancerosa, não permitindo a expansão do tumor e reduzindo os danos causados por essas células. Esse recurso, diferentemente da quimioterapia, atinge apenas as células cancerígenas e, por isso, possibilita a redução dos efeitos colaterais.


Na maioria das vezes, a terapia-alvo é indicada em doenças metastáticas, quando já se disseminou para outras partes do corpo, ou quando as outras opções (cirurgia, quimioterapia e radioterapia) não foram efetivas. Dentre os tipos principais de terapia-alvo estão: Anticorpos Monoclonais e os Inibidores de tirosina-quinase


Algumas terapias-alvo já estão disponíveis na rede pública de saúde. Os medicamentos são indicados atualmente para tratamento do câncer de rins, pulmões, mama, pele, colon, ovário, linfoma, cabeça e pescoço e fígado.


Imunoterapia

Em 1881 aconteceram os primeiros estudos sobre imunoterapia, quando cientistas usaram bactérias para impulsionar a resposta do sistema imunológico contra tumores malignos, mas foi em 2011 que as primeiras drogas imunoterápicas foram liberadas no mercado, trazendo uma revolução no tratamento, se tornando um novo pilar do tratamento oncológico.


As drogas imunoterápicas agem destruindo uma espécie de escudo molecular que alguns tumores utilizam para evitar que os glóbulos brancos do sangue (células de defesa) os ataquem. Esses remédios em vez de atuar diretamente contra o câncer, auxiliam as defesas do corpo para que elas mesmas detectem e combatam a doença.


Em termos técnicos, quando uma ameaça é detectada pelo sistema imunológico, o organismo aciona as células de defesa, entre elas um tipo chamado células T. Os linfócitos reagem a alguns tipos de proteína, entre elas um tipo chamado “checkpoint”, que desativa os linfócitos e fazem com que eles parem de atacar o agente agressor. Alguns tumores produzem proteínas que conseguem fazer com que as células de defesa não reconheçam o tumor como inimigo e o câncer avança. Os medicamentos vieram para bloquear os “checkpoints”.


A imunoterapia, por ser ainda uma opção recente, é eficaz somente para alguns tipos de câncer e perfil de paciente. No Brasil, hoje, esse tratamento está disponível para câncer de pulmões, bexiga, rins, melanoma, cabeça e pescoço, linfomas de Hodgkin, endométrio. Estima-se que somente 20% dos pacientes em tratamento estão sendo beneficiados. Além disso, o custo ainda é muito elevado e não está disponível na rede pública, o que torna o acesso restrito.


Terapia Gênica

Em 2018 foi aprovada uma terapia gênica para tratar um tipo de câncer no sangue que atinge principalmente crianças e adolescentes, a leucemia linfoide aguda infantil (LLA). Esse processo envolve a coleta de sangue do paciente para separar um grupo de glóbulos brancos chamados linfócitos T (células de defesa). Estas células são geneticamente modificadas para incluir um novo gene que contém uma proteína especifica (um receptor de antígeno quimérico ou CAR), que direciona as células T a atingirem um antígeno especifico da célula tumoral. Estas células modificadas são reinfundidas ao paciente com intuito terapêutico de matar a célula tumoral.


Entenda como se deu a evolução dos tratamentos clínicos para o combate ao câncer:


1949: surgiu a primeira quimioterapia. As drogas atuam nas células cancerígenas, mas também podem atingir células sadias.


1999: Terapias-alvo. As drogas agem como um míssil teleguiado, atingindo alvos específicos como as proteínas que fazem os tumores crescer.


2011: Imunoterapia. A drogas ajudam o sistema de defesa do próprio organismo a combater o câncer, removendo os obstáculos, para que os glóbulos brancos possam agir contra o tumor.


2018: Terapia Gênica. Modifica os genes das células de defesas para que elas sejam mais eficientes no combate ao câncer



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Médico responsável: Dr. Gustavo Cardoso Guimarães - CRM/SP 80506
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