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O papel da enfermagem no cuidado do paciente oncológico

Atualizado: 10 de mai.

Além de cuidar do manejo do paciente, que tem um tratamento multidisciplinar, é a enfermagem que acolhe ele e sua família em um momento de muita vulnerabilidade. Sobre o tema, conversamos com a enfermeira Marisa Ongaro, do IUCR, que se destaca por seu profissionalismo e maneira especial de cuidar dos pacientes.


enfermeira do IUCR

Confira a entrevista.


Como foi sua jornada rumo a enfermagem?

Eu me formei em 2008, atuo com equipes de cirurgia oncológica desde 2012 e a partir de 2017  passei a integrar a equipe do IUCR. Sempre tive interesse na prevenção e promoção da saúde, inspirada pelo Programa Saúde da Família, que, inclusive, foi minha primeira especialização. Mas encontrei oportunidade de trabalho na Oncologia, na qual me envolvi profundamente. Para direcionar os cuidados dos pacientes que atendemos no IUCR, busquei a especialização em Estomaterapia.

  

Que tipo de cuidados da enfermagem os pacientes oncológicos necessitam?

Em hospitais e centros de oncologia, a enfermagem tem papel essencial nos cuidados do paciente com câncer, ajuda a lidar com os efeitos colaterais do tratamento, compartilha informações sobre sua condição e orientações para garantir que o plano de tratamento seja seguido. Além disso, estamos envolvidos na gestão da dor; na administração dos medicamentos; e na coordenação dos cuidados entre diferentes especialidades médicas e equipe multidisciplinar.

 

Como acontecem os cuidados da enfermagem no IUCR?

Aqui no IUCR, realizamos cirurgias oncológicas, a maioria urológicas. No consultório, meu papel é, principalmente, orientar o pré-operatório e realizar cuidados pós-operatórios, além de acompanhar o seguimento de consultas e outras rotinas administrativas. Um exemplo são pacientes que passam por uma cistectomia radical (retirada da bexiga), caso em que é feita uma derivação urinária,  confeccionado um estoma e o paciente passa a usar uma bolsinha externa para eliminação da urina. Há também os pacientes que fazem cirurgia de próstata e que, em alguns casos, precisam de cuidados de reabilitação no pós-operatório. É essencial estar alinhada com a equipe e preparada para dar suporte em relação às orientações e, muitas vezes, apoio emocional ao paciente e seus familiares.

 

Que tipo questões dos pacientes fazem parte de sua rotina?

Em relação a pacientes que fizeram cirurgia de próstata, a maior preocupação gira em torno de possíveis efeitos colaterais, como incontinência urinária e impotência. Já os pacientes estomizados, têm questões de adaptação a nova condição.

 

Como você lida com essas questões?

Acredito que o primeiro cuidado é não subestimar a preocupação do paciente. Para nós, profissionais de saúde, essas questões são diárias, fazem parte de nossa rotina. No entanto, para aquele paciente é um problema único, que ele está passando pela primeira vez. Há pacientes que por causa da incontinência urinária deixam de sair de casa, se isolam. E não é o caso de vir com discursos, como: pense pelo lado positivo, você não tem mais câncer, é só uma incontinência. Pacientes estomizados, que usam a bolsinha lidam coma mudança na anatomia de eliminação. Quando, ele sai de casa, dificilmente vai encontrar um banheiro adaptado, essas instalações são raríssimas. Tenho como missão com esses pacientes educar para que eles entendam que é possível seguir a vida com as mudanças causadas pela cirurgia. Ainda que essa adaptação seja gradativa.

 

Na prática, como você realiza essa educação?

O encanto de atuar em consultório é que me proporciona maior proximidade e tempo com o paciente num ambiente mais acolhedor. No caso de paciente estomizado, que vem para a consulta, eu abro uma mesa com todos os equipamentos e produtos que ele vai usar e faço uma demonstração. Inclusive montei um estoma, utilizando um avental de cozinha e massinha de modelar, que eu uso para que o paciente possa visualizar melhor. Faço a demonstração de modo mais lúdico possível. Ele precisa absorver a ideia do autocuidado e de que o estoma está ali para permitir que ele siga com autonomia e qualidade de vida.


Em alguns casos de pacientes que passaram por cirurgia de próstata, mesmo com a cirurgia robótica, cada caso é um caso. É preciso considerar, fatores como idade, musculatura abdominal, fisiológicos, a região onde estava localizado o tumor, a inervação comprometida. Mesmo sendo poucos casos, é importante trazer a parte técnica - com todas as opções de reabilitação disponíveis e a necessidade de ter paciência porque a reabilitação precisa de tempo. Além disso, cada paciente é único. Portanto, o tempo e os níveis de reabilitação serão diferentes entre as pessoas.


Certa vez, para um paciente que estava no pós-operatório dentro do período de um ano, expliquei que ele ainda estava no prazo de melhora. Além disso, que ainda havia uma série de recursos que poderia ser utilizada, além do medicamento, como fisioterapia, eletroestimulação, entre outras condutas. Ou seja, em todos os procedimentos cirúrgicos dedico mostrar para o paciente que ele está no início do caminho, rumo à reabilitação. Para esse trabalho de informar o paciente, estou sempre buscando coisas novas.

 

Que tipo de coisas novas você busca?

Recentemente conclui uma especialização em Saúde 4.0, com foco em Tecnologia e Inovação. Acho importante acompanhar a revolução tecnológica e sempre penso em como posso utilizar essas ferramentas em benefício do paciente, como a telenfermagem. Pesquisando outro dia, encontrei um aplicativo de realidade virtual que mostra a anatomia do sistema urinário em 3D. Estou avaliando como esse aplicativo pode ser útil para responder melhor as perguntas de pacientes que passam por essas cirurgias. Dá para mostrar direitinho, o que foi mexido na cirurgia, para ilustrar as questões que respondo. A equipe também é envolvida em estudos clínicos e encaminho pacientes para duas dessas pesquisas, oportunidade de aprender sempre.

 

Qual é sua mensagem para quem é enfermeiro ou pensa em seguir a profissão?

Para ser enfermeiro é fundamental gostar muito de cuidar de pessoas. Nós, da enfermagem, cuidamos do paciente e sua família em momentos que estão muito vulneráveis, portanto, é preciso estar preparado tecnicamente, mas é fundamental fazer tudo com amor e muito acolhimento. Para quem está pensando em seguir a carreira, eu recomendaria fazer o curso técnico de enfermagem, antes da faculdade. Acho que ter contato com a profissão antes ajuda fazer a escolha de modo mais assertivo. A enfermagem é muito admirada pela maioria das pessoas, mas só se adapta ao cotidiano da profissão quem, realmente, tiver a vocação. Além disso, acredito que fica mais fácil conquistar lugar no mercado de trabalho como técnico de enfermagem e seguir com os estudos e especializações para crescer na carreira.



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