top of page

Cirurgia robótica no câncer de bexiga: entenda como é o procedimento

  • há 19 horas
  • 4 min de leitura

Quando o assunto é câncer de bexiga muitas pessoas imaginam uma cirurgia de grande porte, demorada e com uma recuperação difícil pela frente. Faz sentido pensar assim, pois durante muito tempo, a retirada cirúrgica da bexiga foi mesmo um dos procedimentos mais complexos da uro-oncologia. Mas os últimos anos mudaram bastante essa realidade, principalmente em razão da cirurgia robótica, hoje uma das principais vias para realizar a cistectomia (a retirada total ou parcial da bexiga).


cirurgia robótica

A tecnologia robótica é especialmente indicada nos casos mais avançados, quando a doença já chegou ao músculo da bexiga e a remoção completa do órgão passa a ser o caminho recomendado. Esse tipo de cirurgia lida com uma região anatômica muito delicada, perto de vasos, nervos e outros órgãos. É justamente nesse cenário que o suporte do robô mais se destaca, ampliando a margem de segurança de cada etapa.

 

O que muda com o robô


Importante dizer que robô não opera sozinho. É o cirurgião que comanda o procedimento, a partir de uma espécie de console próximo à mesa de cirurgia. Os braços mecânicos apenas reproduzem, com muito mais precisão, o movimento das mãos do médico.


Na prática, isso significa cortes bem menores no abdômen (geralmente entre três e cinco pequenas incisões) e uma câmera de altíssima definição, com imagem em três dimensões e capacidade de ampliação. A tecnologia muda a forma como o cirurgião enxerga a região operada, o que faz diferença na hora de contornar estruturas delicadas da região da bexiga ao redor do tumor sem comprometê-las.


Isso não quer dizer que todos os cirurgiões consigam realizar o procedimento. Muito pelo contrário, a plataforma robótica é uma ferramenta sofisticada, mas o mais importante é a experiência e a especialização do cirurgião. Dominar esse tipo de tecnologia exige uma curva de aprendizado longa e capacitação específica, por isso é importante que o procedimento seja conduzido por profissionais com bagagem consolidada em cirurgia robótica urológica.


A equipe do IUCR é especializada em cirurgia robótica para os tipos de câncer urológicos e foi uma das pioneiras na utilização da técnica robótica no Brasil além de ter formado centenas de médicos cirurgiões.


Por que a cirurgia robótica traz benefícios para o paciente?


Menos sangramento, menos necessidade de transfusão e um pós-operatório mais tranquilo são alguns dos benefícios para o paciente. Como as incisões são pequenas, a dor também costuma ser menor, e muitos pacientes recebem alta em poucos dias.

Isso não quer dizer que seja uma cirurgia simples. A cistectomia envolve a retirada completa ou parcial da bexiga e, dependendo do caso, também de estruturas próximas, como próstata, útero ou parte da vagina. Mesmo sendo um procedimento de grande porte, a tecnologia robótica tornou essa etapa bem menos agressiva do que era há alguns anos.


E depois de retirar a bexiga, como fica a urina?


Essa é uma das perguntas mais comuns, e a resposta trouxe mais um avanço em benefício dos pacientes. Com o auxílio do robô, também é possível reconstruir o caminho da urina dentro do mesmo procedimento.  É possível utilizar um segmento do intestino do paciente para montar um novo reservatório interno, conectado à uretra, o que costuma possibilitar que a pessoa continue urinando pela via natural.


Antes da cirurgia robótica, essa reconstrução geralmente era feita fora do corpo do paciente, com o abdômen aberto por mais tempo. Ou seja, era preciso puxar a alça de intestino para fora da cavidade abdominal para costurá-la e moldar o novo reservatório.  Hoje, com o robô, dá para conduzir todo o procedimento dentro do próprio corpo.


Já quando a urostomia (cirurgia que cria uma abertura no abdômen para a saída da urina) é o caminho indicado, a boa notícia é que ela não precisa significar uma vida mais limitada. Com o tempo, a rotina se adapta, e é cada vez mais comum ver pacientes retomando atividades físicas e até esportes com exigência mais alta depois da recuperação.

 

Nem todo caso precisa de cirurgia


A necessidade de cirurgia vai depender em que estágios está o câncer de bexiga. Em fase inicial, quando o tumor ainda não invadiu a musculatura, geralmente não é necessário remover o órgão. Nesses casos, o tratamento costuma ser feito por dentro da própria bexiga, com um instrumento inserido pela uretra, sem cortes externos, e sem a participação do robô, já que a técnica nem passa pela parede abdominal.


Um tratamento que vai além da cirurgia


A cirurgia é só uma parte da equação. Recursos como a imunoterapia e as medicações de ação direcionada às células tumorais também vêm ganhando espaço no tratamento do câncer de bexiga, trazendo resultados mais efetivos quando combinados a um planejamento conjunto e individualizado entre cirurgião uro-oncologista, oncologista clínico, radioterapeuta e demais especialistas para definir a conduta mais adequada.


Por fim, o que a tecnologia robótica trouxe de mais valioso não foi apenas precisão técnica, mas a possibilidade real de manter a qualidade de vida do paciente com uma recuperação mais rápida, menos complicações e a chance de voltar mais cedo para a rotina.


bottom of page