Nem todo câncer de próstata deve ser operado
- há 22 horas
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Receber o diagnóstico de câncer de próstata costuma desencadear uma reação imediata: a ideia de que é preciso operar o quanto antes. Durante muito tempo, essa foi, de fato, a lógica predominante.

Mas a medicina avançou e hoje sabemos que nem todo câncer de próstata exige tratamento imediato.
Esse é um ponto que ainda gera dúvida, e até ansiedade, entre pacientes e familiares. Afinal, como é possível conviver com um câncer sem tratá-lo de forma ativa? A resposta está no comportamento da doença.
O câncer de próstata pode apresentar crescimento lento e baixa agressividade. Isso significa que muitos tumores não representam um risco imediato à vida do paciente e podem ser acompanhados com segurança. É nesse contexto que surge uma estratégia cada vez mais utilizada e respaldada por evidências científicas: a vigilância ativa.
Diferente do que o nome pode sugerir, a vigilância ativa não significa ausência de tratamento. Trata-se de um acompanhamento rigoroso, com protocolos bem definidos, que incluem exames periódicos como o toque retal, PSA, avaliação clínica, exames de imagem e, em alguns casos, novas biópsias. O objetivo é monitorar o comportamento do tumor ao longo do tempo e intervir apenas se houver sinais de progressão da doença.
Essa abordagem permite evitar, ou ao menos adiar, tratamentos que podem trazer efeitos colaterais importantes, como disfunção erétil e incontinência urinária, impactos que, para muitos homens, têm grande peso na qualidade de vida.
Naturalmente, a vigilância ativa não é indicada para todos os casos. Existem tumores mais agressivos, que exigem tratamento imediato. A decisão entre operar ou acompanhar depende de uma análise cuidadosa que envolve o estágio da doença, as características do tumor, a idade do paciente, suas condições clínicas e, sobretudo, uma avaliação individualizada do risco.
É justamente nesse ponto que a experiência do cirurgião uro-oncologista é fundamental. O desafio não está apenas em tratar o câncer, mas em definir quando tratar e como tratar. Em muitos casos, o tratamento imediato pode não trazer benefício adicional e ainda expor o paciente a intervenções e efeitos colaterais desnecessários.
Estamos diante de uma decisão importante. Saímos de um modelo em que os protocolos eram generalistas para uma abordagem cada vez mais personalizada, que considera cada paciente individualmente.
O diagnóstico do câncer de próstata não significa, automaticamente, que os tratamentos cirúrgico, quimioterápico ou radioterápico serão necessários de imediato. Significa que é preciso avaliar com profundidade o caso, entender o cenário e escolher a melhor estratégia para o paciente.
Por Dr. Gustavo Cardoso Guimarães
