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Crioablação e Hifu: entenda como funcionam as tecnologias que possibilitam menor impacto na qualidade de vida do paciente com câncer de próstata

  • há 12 minutos
  • 3 min de leitura

Muitas foram as evoluções na oncologia e desde maio de 2026, o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou no Brasil a utilização do HIFU e da crioablação para o tratamento do câncer de próstata. Essas técnicas fazem parte da chamada terapia focal.


Hifu e Crioablação para câncer de próstata

Uma das principais pergunta de pacientes recém-diagnosticados com câncer de próstata é se existe alguma alternativa de tratamento que não impacte à vida sexual ou o controle urinário.


Muitas foram as evoluções na oncologia e desde maio de 2026, o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou no Brasil a utilização do HIFU e da crioablação para tratamento do câncer de próstata. Essas técnicas fazem parte da chamada terapia focal. Vale ressaltar que esses métodos já eram usados, mas tiveram a diretriz regulatória clara em nosso país apenas esse ano.

 

O que é a terapia focal e como essas tecnologias funcionam para o câncer de próstata?


A terapia focal segue um caminho diferente dos tratamentos tradicionais para o câncer de próstata. Com o avanço dos exames de imagem, é possível enxergar o ponto exato onde estão as células doentes. Assim, tratamos apenas a região necessária (o alvo), preservando os tecidos saudáveis e as estruturas nervosas ao redor, responsáveis pela ereção e pelo controle urinário. Para eliminar o tumor com precisão, cada método utiliza uma temperatura extrema diferente:


  • HIFU (Ultrassom Focado de Alta Intensidade) - funciona por meio de feixes de som focados. O equipamento direciona essas ondas para um ponto único na próstata. Ao se encontrarem exatamente no alvo doente, elas geram um calor concentrado capaz de destruir o tumor, preservando as áreas sadias.

     

  • Crioablação - faz o caminho inverso através do frio intenso. Agulhas muito finas, guiadas por imagem, são inseridas na próstata. Por meio delas, injetamos gases que congelam a área afetada, provocando a morte das células cancerígenas sem prejudicar os tecidos saudáveis.


Quem pode se beneficiar?


É importante destacar que o reconhecimento do HIFU e da crioablação pelo CFM não significa que eles substituiem tratamentos consagrados, como a cirurgia ou a radioterapia.


O câncer de próstata é uma doença heterogênea, com diferentes graus de agressividade e comportamentos biológicos distintos. Por isso, não existe uma única solução capaz de atender a todos os pacientes.


A terapia focal não é uma tecnologia para todos os casos. Seu sucesso depende diretamente da seleção adequada dos pacientes, considerando características do tumor, perfil clínico, exames de imagem, expectativas individuais e objetivos terapêuticos.


O CFM estabeleceu critérios rígidos de segurança para a indicação. O perfil inclui pacientes com câncer de próstata de risco intermediário favorável, unifocal e unilateral, sendo que não haja divergência entre os exames de imagem e o anatomopatológico e para casos de tratamento de resgate, ou seja, homens que já fizeram radioterapia ou braquiterapia no passado e apresentaram um retorno localizado do tumor. Em situações excepcionais, pode ser considerada para pacientes com câncer de próstata de baixo risco com lesões volumosas ou baixa adesão à vigilância ativa.


Por outro lado, a norma não inclui tumores classificados como de risco intermediário desfavorável, nem os de alto risco. Nesses casos, o protocolo são as intervenções convencionais.

 

Ganho para o paciente


O principal ganho para o paciente acontece logo após o procedimento. Com esse processo minimamente invasivo, leva-se menos tempo, pode-se utilizar uma anestesia mais leve e o paciente recebe alta no mesmo dia. Os índices de complicações urinárias e sexuais são menores comparados aos métodos tradicionais. Além disso, por preservar a anatomia do órgão, caso a doença retorne no futuro, a terapia focal pode ser realizada novamente ou outros tratamentos podem ser feitos.


Cuidados após o procedimento


Como qualquer intervenção médica, existem riscos menores e temporários, como um leve desconforto local ou pequenos traços de sangue na urina nos primeiros dias. Mas um ponto muito importante é o monitoramento.


Tratar apenas a lesão visível significa que o restante da próstata continua lá e precisa ser vigiado. O acompanhamento é realizado com coletas de sangue (PSA) a cada três meses no primeiro ano, passando para intervalos semestrais nos dois anos seguintes e, depois, revisões anuais. Além disso, é preciso fazer exames de ressonância e uma nova biópsia de controle entre 6 e 12 meses após a aplicação.


Poder oferecer tratamentos eficazes que respeitam a rotina do paciente é um ganho e um avanço para a urologia. Se você recebeu um diagnóstico recente ou está em acompanhamento, converse com seu urologista para avaliar se o seu caso se encaixa nesse tipo de cuidado.


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