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Câncer de bexiga recorrente: quando o tumor volta, como tratar?

  • Foto do escritor: IUCR
    IUCR
  • 16 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Câncer de bexiga recorrente é aquele que reaparece mesmo depois da remissão, período após a conclusão do tratamento em que o paciente não apresenta sinais da doença.


câncre de bexiga


A doença pode voltar no mesmo local ou em outras partes do corpo em um processo chamado metástase. Infelizmente, isso é muito comum em casos de câncer de bexiga.

 

O risco individual de recorrência do câncer depende de diversos fatores, por exemplo, o estágio do câncer, o resultado do tratamento inicial, a idade e o histórico de tabagismo do paciente. Além disso, há pacientes com câncer de bexiga que apresentam tumor superficial, aquele localizado apenas na mucosa do órgão, sem infiltração na musculatura. Também há os que são acometidos por tumores mais agressivos que se infiltram na musculatura e entram em contato com a vascularização, aumentando o risco de metástase.

 

Chances de recorrência


O câncer de bexiga superficial corresponde a maioria dos diagnósticos. Há estudos que apontam que mais da metade dos pacientes desenvolverão recorrência dentro de cinco anos após o tratamento. Diagnosticado com menos frequência, o câncer de bexiga infiltrado na musculatura pode ser mais agressivo e apresentar índices ainda maiores de recorrência e progressão.

 

Por todos esses motivos, é fundamental acompanhar o paciente de maneira contínua por anos após o tratamento para que uma recorrência seja detectada precocemente, aumentando as chances de sucesso do tratamento.

 

Novas alternativas de tratamento para o câncer de bexiga recorrente


No passado, o tratamento desses pacientes era realizado basicamente com quimioterapia. Nos últimos anos, estudos mostraram outras alternativas eficientes para além da quimioterapia, abrindo novas perspectivas para pacientes de alto risco ou acometidos por câncer de bexiga recorrente. 

 

Entre os avanços está, por exemplo, a imunoterapia de manutenção que utiliza o próprio sistema imunológico do paciente para combater as células cancerígenas. São drogas inteligentes capazes de estimular as defesas naturais ou de inibir o ponto de controle imunológico, liberando o freio das células de defesa para combater o câncer.

 

Além disso, temos os anticorpos conjugados que transportam drogas que atacam especificamente o tumor, liberando substâncias altamente tóxicas que podem destruir o câncer de dentro para fora, sem alcançar a corrente sanguínea do paciente.  A imunoterapia combinada com anticorpos conjugados tem se mostrado promissora no tratamento do câncer de bexiga em vários estágios.

 

Marco recente no tratamento de câncer de bexiga


Um dos marcos recentes da evolução no tratamento de câncer de bexiga, incluindo os casos recorrentes, foi o estudo NIAGARA, apresentado em setembro de 2024 no Congresso Europeu de Oncologia (ESMO) e publicado no The New England Journal of Medicine.

 

O NIAGARA foi o primeiro estudo a mostrar que uma imunoterapia injetável pode reduzir o risco de recidiva do câncer de bexiga quando combinado com a quimioterapia após cirurgia de remoção do órgão. A inclusão do imunoterápico Durvalumabe ao tratamento aumentou em 34% a chance do tumor desaparecer quando observado no microscópio após a cirurgia. Isso representa uma redução de 32% no risco de o paciente apresentar retorno do câncer, após o término do tratamento. A abordagem terapêutica sugerida pelo NIAGARA é indicada para pacientes com câncer de bexiga localizado.

 

Alternativas atuais


Em resumo, o  atual tratamento do câncer de bexiga recorrente, a depender do  tratamento anterior e da localização da recidiva pode incluir:


  • Quimioterapia sistêmica

  • Imunoterapia

  • Terapia direcionada

  • Cirurgia seguida ou não de imunoterapia e quimioterapia.

  • Radioterapia como terapia paliativa.

     

A escolha do melhor plano de tratamento dever ser feita pelo médico em conjunto com o paciente de maneira individualizada. A possibilidade de recorrência de um câncer de bexiga ainda é alta, mas a ciência tem evoluído muito em termos de recursos terapêuticos que aumentam a eficácia dos tratamentos.


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